sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O ESPORTE COMO FONTE E FRUTO DE EDUCAÇÃO E DO LAZER

Participando do I Seminário de Políticas Públicas para o Esporte e o Lazer, promovido pela UnB, como coordenador do Grupo de Trabalho de Esporte e Saúde Coletiva, a partir do trabalho apresentado por diversos alunos e professores, eescrevi o texto abaixo que deixo para críticas e sugestões.
Muito se tem discutido sobre o esporte. De instrumento único a vilão da educação física escolar, o esporte já enfrentou várias críticas, enormes oposições e inúmeros tratados. No entanto, por qualquer ângulo que se observe não há como negar a sua força como um dos principais componentes da cultura corporal de movimento. Sempre defendi que o culpado por esta tentativa de afastamento da educação física, principalmente a partir da década de 80, não era o esporte em si, mas do uso que se fez dele durante a época da ditadura militar em nosso país.
Apesar de tudo, o esporte sobrevive, cada vez com mais força, alavancado pela mídia e pelos fabricantes de produtos esportivos. Isso poderia até ser considerado positivo, não fossem os objetivos deturpados por formadores de opiniões despreparados e a exacerbação do consumismo.
Quando se fala do esporte, conceitualmente o definimos como uma prática corporal composta de regras e organizações definidas, praticadas de forma competitiva. No entanto esta prática que parece fechada a modificações, possui uma maleabilidade quando se transforma em jogos adaptados, em jogos pré-desportivos, e em brincadeiras infantis plenas de ludicidade. O esporte dá origem a inúmeras atividades que são absorvidas pela rua, pela escola e hoje em dia por atividades virtuais, através dos “vídeos games”.
Cabe ressaltar que, acima de tudo, o esporte deve ser visto prioritariamente como fonte de lazer espontâneo, e também, como parte integrante do processo educativo de qualquer pessoa que tenha oportunidade de praticá-lo. A oferta de oportunidade deve ser papel importante da escola por ser uma instituição por onde deve passar todo cidadão. Oferecer a oportunidade não significa especializar os alunos, mas, colocá-lo em contato com as diversas modalidades, ensinar-lhes os movimentos básicos que darão a condição de usar estes conhecimentos como instrumento de lazer e para os que se interessarem, o encaminhamento para o aprimoramento.
Não restam dúvidas que o esporte tem uma forma espontânea de ser aprendido e praticado. João Batista Freire coloca muito bem em seu livro “Pedagogia do Futebol” que existe uma “pedagogia da rua” e uma “pedagogia da escola”. Enumera virtudes e defeitos em cada uma das pedagogias citadas, entre elas cita a ludicidade e motivações incorporadas na “pedagogia da rua”, ao mesmo tempo em que ressalta a crueldade em que ela trata os menos hábeis. Aponta na “pedagogia da escola” a excessiva diretividade, mas ao mesmo tempo a obrigatoriedade da inclusão, da preocupação com as atitudes e valores que devem ser incorporados pelos praticantes.
No meu modo de ver, a pedagogia da rua enaltece o talento, a da escola deve privilegiar o método. A da rua enxerga a competição como uma exaltação ao mais hábil, a da escola deve tratá-la como um retrato momentâneo e compreensivo da capacidade individual e/ou coletiva.
O esporte não deve ser examinado apenas pela ótica da sua prática. Ele nos fornece um imenso manancial para reflexões sobre a realidade, sobre a sua (des?)organização, sobre os fatores positivos e negativos que podem estar inseridos nele, reflexos dos problemas e virtudes da história social contemporânea.
Em nosso país, verificamos a falta de políticas públicas para o esporte, decisões incoerentes e uma prática muitas vezes inconsistente nas escolas. No esporte de alto rendimento, um constante desvio de verbas nos altos escalões ligados ao esporte (ministérios, secretarias, confederações, federações, clubes, etc.) retrata uma sociedade em que o esporte tem sido vilipendiado tanto nos seus aspectos morais como financeiros.
Mas do que nunca se faz necessário, uma mudança radical na forma que o esporte tem sido percebido, tratado e dirigido. Isso só acontecerá a partir da conscientização da sociedade, da preparação de profissionais que realmente enxerguem de maneira responsável as possibilidades educativas do esporte, de estudos que apontem de forma clara métodos de atuação, não só nos aspectos motores, mas na compreensão do esporte como um bem cultural que não pode ser de forma nenhuma desprezado.
Não é suficiente preparar apenas professores para ministrarem aulas ligadas à prática esportiva, é necessário preparar pessoas para tratarem da gestão do esporte. Chega de aventureiros despreparados que se lançam no esporte, sabedores da sua repercussão social, para obterem ganhos políticos; chega de formadores de opiniões que usam a mídia para transmitir idéias distorcidas do que é uma competição esportiva; chega de “técnicos-boleiros” para inserir a criança no mundo esportivo; chega de entregarmos a direção do esporte nacional à ex-estrelas ou a políticos de ocasião.
O esporte merece respeito e estudos. Seminários, debates, conferências e pesquisas sobre o tema, são fundamentais para preparação de profissionais, o que, por conseqüência, ajudará a preservar o esporte como fonte e fruto de educação e lazer.

sábado, 15 de novembro de 2008

AOS QUE FARÃO CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSORES

Desejo boa prova à todos.
Desejo que passem os que realmente se preocupam com a qualidade da educação física na escola, pois precisamos mais do que nunca de bons professores.

Espero que passem aqueles que querem trabalho e não um emprego;
aqueles que lutem e não os que reclamem;
aqueles que se dediquem e não os que descansem
aqueles que façam jus a cada centavo do que ganham e não aqueles que justifiquem as péssimas aulas, pelo salário insuficiente.

Esses, tenho certeza, terão ajuda divina, pois todos os dias os alunos rezam para ter um professor assim.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

BREVE PAUSA

Caros colaboradores e leitores,

até o dia 16/11, devido a uma série de aulas, provas, trabalhos e cursos em que estou envolvido, não poderei atualizar o blog como gostaria. Espero que tenham um pouco de paciência e que continuem enviando suas idéias e sugestões, pois a partir da data citada, voltarei a discutir os problemas do nosso esporte e da educação física.

PARA INVESTIGAÇÃO

Recebi entre tantas mensagens na internet, uma que merece uma investigação mais profunda. Se isso for verdade, será mais um dos crimes praticados contra a nação. A denúncia pelo que está colocado na mensagem é feita por Alberto Murray Neto, Graduado em Advocacia pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Pós-graduado pela University of Toronto, Law School, Membro da Assembléia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro, Árbitro da Corte Arbitral do Sport, com sede em Lausanne, Suiça.
Passo a transcrever a mensagem da forma que recebi e desde já coloco o blog à disposição para os comentários e as respostas por quem de direito.


"Os responsáveis pelo lobby da candidatura Rio 2.016 contrataram, sem licitação pública, os serviços da Fields Comunicação, por R$ 6 Milhões de Reais, como noticía a Folha de São Paulo de hoje. Indagados do porque da dispensa da licitação pública, a turma responsável por isso alegou uma lei de 1.993 que prevê dispensa de licitações públicas em "casos de emergência, ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços equipamentos e outros bens públicos particulares". O Ministério dos Esportes ainda diz que a tal empresa acima mencionada foi "contratada por falta de tempo, porque o prazo de entrega ao COI de documentos sobre a mobilização popular pela candidatura acaba em em fevereiro. A concorrrência levaria 120 dias".

As justificativas só podem ser as seguintes: (a) Emergência: É urgente trocar toda essa gente que está aí, tomando conta do esporte olímpico nacional, dentre as quais incluem-se os próceres do Ministério dos Esportes; e (b) Situação de Calamidade Pública: Calamitosa é a forma pela qual o lobby por essa candidatura começou, igualzinha a todas as demais, sem transparência e abusando das verbas públicas e transgrendido as leis.
Analisemos o seguinte:(a) O caderno de encargos do COI dispõe, com antecedência necessária, todos os prazos para a entrega de cada uma das exigências da Cidade candidata. Por isso, dizer "que não há tempo", é sinal de desleixo, desídea, má-fé, ou incompetência dos mandatários do esporte brasileiro (até mesmo porque, a essa altura, eles já têm em mente Rio 2.020!); (b) legalmente falando, não existe situação emergencial, de calamidade pública, ou algo que coloque em risco a ordem do País e a segurança e o bem estar do povo. As regras de direito administrativo para a aplicação desses conceitos não se enquadram no caso em questão; e, (c) deve ser investigado, pelo TCU, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se a empresa em questão seria realmente a única a prestar esse tipo de serviço e se o valor, diga-se de passagem, altíssimo, de R$ 6 Milhões, está realmente adequado."


Seria interessante que isso fosse realmente investigado para saber se essa denúncia realmente procede!

domingo, 19 de outubro de 2008

TALENTO X ESTRUTURA

Observando a final do Mundial de Futsal e refletindo sobre os jogos e comentários que assisti, li e ouvi, me ocorreu essa reflexão: Até quando no Brasil vamos continuar colocando em lados opostos o talento do atleta com a estrutura necessária para a prática esportiva?
Vimos neste campeonato excelentes jogadores brasileiros com muita habilidade, consciência tática, garra, e empenho. Alguns vestiam a camisa verde e amarela, e outros, com camisas dos mais variados países: Espanha, Itália, Rússia, etc. Fora os que defendem seleções estrangeiras, existem outros milhares que se encontram espalhados pelo mundo.
Poderíamos pensar que esta situação é atípica por ser tratar de um esporte que tem suas raízes ligadas ao Brasil e por essa razão muitos países os importam para elevar o nível das suas competições.
Observando de forma mais ampla, podemos notar que isso vem ocorrendo nos diversos esportes: futebol de campo, voleibol, vôlei de areia, futebol de areia (beach soccer), basquetebol, etc.
Assistimos a essa debandada de atletas sem que se implante uma estrutura esportiva que os permita continuar no seu país de forma digna.
Nossos atletas saem cada vez mais cedo se naturalizando em outras nações para defender outras bandeiras. Quando ainda não naturalizados, deixam de servir nossas seleções, pois seus interesses, normalmente profissionais e comerciais, passam a ser prioridade em suas carreiras. Acabamos acusando-os de mercenários, antipatriotas e outros adjetivos. Novamente a carga da opinião pública acaba recaindo nas costas dos atletas.
Mas quem são realmente os antipatriotas e mercenários?
Não seria antipatriotismo ter poder decisório sobre o esporte no país e não apresentar projetos? Passar anos, e muitas vezes décadas na presidência das federações e confederações, sem um plano de trabalho bem elaborado que apresente resultados? Se valer do status do cargo para obter ganhos pessoais sem nada fazer pelo esporte? Mudar normas internas para se perpetuarem no poder?
Quem são os mercenários que sem nenhum esforço ou suor deixados dentro de um ginásio, pista, piscina ou campo, vivem do esporte, mesmo o cargo de dirigente não sendo remunerado? Basta ler o levantamento feito pelo jornalista José Cruz no artigo “O ranking da perpetuação”, e notar o tempo que alguns dirigentes brasileiros se mantêm no poder. (http://www.eunaotenhonome.com.br/blog/blogdocruz)
Qual a causa desse interesse em se manter nestes cargos deixando suas famílias e suas ocupações profissionais de lado? Qual deles tentaria responder a algumas das questões acima elencadas?
Certamente se perguntássemos aos atletas a causa desta busca por outras nações teríamos respostas mais verdadeiras. Nossos atletas vão para outros países em busca da estrutura que não acham aqui; vão à busca da oportunidade esportiva e profissional, já que em muitos países lhe é oferecido o estudo conciliado com o treinamento. Vão em busca da garantia que o seu clube não vai acabar na próxima temporada por falta de patrocínio. Vão por saberem que não serão explorados em seus contratos e que receberão o que foi acertado; vão por acreditarem na seriedade dos dirigentes e da política esportiva implantada nos outros paísese.
Será tão difícil montar uma estrutura? Uma política de desenvolvimento esportivo?
Antes se alegava falta de recursos para investimento no esporte, mas agora que o governo brasileiro se compromete a gastar bilhões com Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas, Jogos Pan-americanos, e temos recursos (que não são poucos) da Lei Agnelo/Piva para o esporte, me parece que essa desculpa está enfraquecida. Não que a verba já seja suficiente, mas poderia ser muito melhor aplicada. No entanto, falta seriedade, falta planejamento, falta conhecimento aministrativo, falta uma legislação esportiva que impeça perpetuações em cargos de presidência das confederações.
Sabemos que o art. 217 da Constituição Federal preserva a autonomia das entidades esportivas quando cita que:
Art. 217 - É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados:
I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento;
II - ...

Não pregamos o desrespeito à constituição mas sabemos também que a partir do momento que as entidades desportivas recebem verbas públicas, elas tem que ser fiscalizadas e subordinadas às normas legais. Que tal se estabelecêssemos uma lei regulamentando que:
Só poderão receber verbas públicas as entidades desportivas que cumprirem as seguintes exigências:
I – possibilidade de recondução ao cargo de presidente apenas uma única vez;
II – Apresentação de plano de ação ao Ministério dos Esportes, e relatório ao final do mandato onde conste as ações realizadas de acordo com o plano inicialmente apresentado.
III – Manter em site aberto à consulta pública o balanço patrimonial anual.
IV – tiverem suas contas aprovadas pelo TCU. (ou Tribunais de Contas Estaduais quando as verbas vierem dos estados)

Sei que poderão argumentar que desta forma, esta norma estaria ferindo a Constituição, no entanto ela seria aplicada apenas para as que se utilizarem de verba pública. Lembro que verba pública é dinheiro da população, e como tal deve ser por nós fiscalizada, inclusive e principalmente, os que dela fazem uso.
Os que conseguem se manter com patrocínios de entidades privadas, que continuem tendo a sua independência quanto aos gastos e regulamentação interna.
Esta é uma proposta.
Enquanto isso não ocorre, continuaremos ressaltando e nos gabando ufanisticamente do talento dos atletas aqui nascidos, que cada vez mais têm deixado de ser “brasileiros”.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

RELATÓRIO SOBRE O SEMINÁRIO DA UnB


Acredito ter sido extremamente proveitoso o seminário sobre a Participação do Brasil nas Olimpíadas de Pequim: Foi um fracasso?, realizado pela Universidade de Brasília – UnB, no qual fui convidado para discorrer sobre o esporte de alto rendimento.
Os demais palestrantes foram: Prof. Dr. Luiz Renato Vieira (Sociologia-UnB), Profa. Drª. Ingrid Dittrich Wiggers (Faculdade de Educação Física-UnB), Ilmo. Sr. Herval Barros representando a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento-Ministério do Esporte. Infelizmente, por problemas de saúde, o Ilmo. Sr. José Cruz (Editor de Esporte do Correio Braziliense), não pode comparecer.
Iniciando as palestras fiz uma indagação sobre qual critério deve ser usado para determinarmos o fracasso ou sucesso de um país em Olimpíadas: número de medalhas? Número de atletas participantes? Comparação com anos anteriores (evolução ou queda)? Será que a análise do sucesso ou fracasso não deve passar pelo planejamento feito pelo país, pela estrutura fornecida aos atletas, pela política de incentivo ao esporte?
Procurei fazer um levantamento dos diversos problemas que têm influenciado o esporte de alto rendimento. Estes tópicos serão abordados na minha próxima postagem.
O segundo palestrante foi o Prof. Dr. Luiz Renato Vieira, que abordou pontos interessantes sob a ótica sociológica. Ressaltou a necessidade de uma avaliação histórica, onde se notaria um problema crônico nas políticas públicas no país: problemas de continuidade e a coordenação inter e intragovernamental que gera desperdício de energia e de gastos públicos. Reafirmou ainda, a necessidade de termos uma atitude cidadã para fiscalizar as políticas públicas, e que essas acontecem pelo controle social. Finalizou enfatizando a importância do esporte que, pela possibilidade de agregar a ação humana, é um campo privilegiado voltado à educação para a cidadania.
Como terceira palestrante, a Profa. Ingrid Dittrich, abordou os fundamentos históricos da escola e do esporte. Lembrou que o esporte é uma herança grega que ressaltava os princípios e valores, buscando a divinização do ser humano e a humanização da vida, através da harmonia do corpo e da alma. Para isso utilizava-se da cultura e cidadania através do esporte, poesia, teatro, música, retórica, etc. Em contrapartida, a civilização romana modificou esta visão do esporte transformando a festa da beleza e arte em entretenimento pela animalidade e terror.
O encontro entre o esporte e a escola não se deu na forma inicial da escola, acontecendo a partir do surgimento da Escola Nova (por volta de 1920).
Por volta de 1970, o esporte passa a ser a base da pirâmide no currículo escolar, buscando o aperfeiçoamento do gesto esportivo. Hoje, a escola utiliza o esporte como um dos seus instrumentos, mas não deve se preocupar com a busca de talentos, mas sim, com a formação integral do aluno.
Prosseguindo as palestras o Sr. Herval Barros, representando o Ministério dos Esportes, fez questão de ressaltar que a partir da criação deste Ministério o esporte passou a fazer parte de uma política pública efetiva, pois antes era apenas um apêndice de outros ministérios. Salientou também que não existem dados sobre a participação econômica do esporte na economia nacional, e com isso fica difícil dimensionar o orçamento adequado para dinamizar as diversas esferas ligadas a ele. Atualmente o Ministério luta para fazer com que o orçamento para o esporte seja de 1% do PIB.
Anunciou ainda que será lançada a III Conferência Nacional do Esporte e que existe um planejamento para elevar o Brasil, colocando-o entre as 10 maiores potências esportivas até 2016. Finalizou lembrando que no site do Ministério existe um fórum virtual em que as pessoas podem participar com críticas e sugestões.
Finalizada a etapa de palestras, foi iniciada a rodada de questionamentos. A última questão foi dirigida a mim: Afinal, a participação do Brasil em Pequim foi um sucesso ou um fracasso?
Para respondê-la, achei melhor dividi-la em três partes: em relação aos atletas; em relação ao Ministério dos Esportes; e, em relação às Confederações e ao COB.
Considerando a participação dos atletas, acho que foi um sucesso, pois com as condições que existem em nosso país, eles conseguirem estar entre os 20 ou 30 melhores do mundo é um feito digno de admiração. Em relação ao Ministério dos Esportes, se estes jogos serviram para uma avaliação e a realização de programas de longo prazo, que já devem ser iniciados imediatamente, podemos estar entrando no caminho adequado. Já em relação à maioria das confederações e ao COB podemos considerar que foi um fracasso absoluto, pois é inadmissível que atletas tenham que bancar seu próprio treinamento (Natália Falavigna), outros tenham que estacionar na sua progressão esportiva por não ter verbas para pagar um exame de faixa, outros que tenham que buscar treinamento no exterior por não possuir uma estrutura adequada para desenvolver todo o seu potencial, e muitos outros não poderem participar de uma olimpíada pela incompetência de seus dirigentes. Nossas Confederações precisam evoluir muito em relação às suas organizações, planejamentos e principalmente nas escolhas de seus dirigentes. Que sejam pessoas preparadas e preocupadas muito mais com o esporte que representam do que com situações pessoais.
Deste seminário deverá ser elaborada uma carta para o esporte nacional, que esperamos ter repercussão e o eco devido nas autoridades responsáveis. Assim que for divulgada, será postada neste blog.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

ARTIGO SOBRE GERÊNCIA ESPORTIVA

Muito bom o artigo que o amigo Alcir magalhães publicou no site http://oficinadegerencia.blogspot.com/. O título do artigo é: Antídoto contra a inércia administrativa. Nele o Alcir traça um retrato claro da situação em que se encontra a Confederação Brasileira de Basquete, e aponta alguns caminhos para a mudança que se faz necessária.
Leiam e opinem!

domingo, 5 de outubro de 2008

SEMINÁRIO SOBRE OLIMPÍADAS DE PEQUIM

Dia 09/10, estarei participando na Universidade de Brasília - UnB, do seminário sobre as Olimpíadas de Pequim. Será debatida a participação brasileira com o tema: Foi um Fracasso?
Participarão do seminário a Profª. Drª. Ingrid que tratará da educação física escolar, Djan Madruga, representando o Ministério dos Esportes e o Sub-editor do Esportes do Correio Braziliense, José Cruz.
O Seminário acontecerá no auditório da Faculdade de educação Física da UnB das 10:00 às 13:00 horas.

ENTREVISTA NO SPORTMANIA

Tive o prazer de ser entrevistado pelo site SPORTMANIA. Lá discorro algumas idéias sobre os problemas na educação física e esporte no Brasil e, especificamente no basquete brasileiro.
Agradeço ao Carlos Fernando pela oportunidade que foi intermediada pelo amigo Alcir Magalhães.
Para ampliar nossa discussão aqui nesse blog, recomendo que dêem uma passada por lá.

http://www.sportmania.com.br/

NOVAS PROPOSTAS

Caros amigos,
Uma das propostas deste blog é levantar propostas para solucionar os diversos pontos em que nossos esportes e a educação física escolar estão carentes. Para isso contamos com a ajuda de colaboradores que, a partir da "Carta de desculpas ao esporte e aos atletas brasileiros", têm me enviado diversos e-mails.
Começaremos hoje com duas mensagens enviadas por um colaborador que assina como BR. Transcrevo abaixo suas duas propostas que tratam do mesmo assunto: O incentivo à prática esportiva, que normalmente se inicia ao se assistir uma competição ou poder ver seus ídolos atuando.
Peço que ao final dos textos assistam o clip feito para a campanha de Londres para sediar as olimpíadas. É um bom exemplo a ser seguido. Seria muito bom se iniciássemos assim, pelo começo...

A DITADURA ESPORTIVA DA TV BRASILEIRA

A televisão aberta deve ter o papel fundamental na popularização e criação de ídolos das diversas modalidades, como ocorre no futebol, visto que só as classes sociais mais altas têm acesso à televisão por assinatura.

Atualmente há uma elitização dos esportes olímpicos pela mídia brasileira, visto que estão restritos à televisão por assinatura, inacessível a 95% da população do país. Pergunto: excluindo os Jogos Olímpicos que só se realizam a cada quatro anos, quando as maiores competições das modalidades olímpicas mais tradicionais são transmitidas para o Brasil?
Quero inclusive aqui, citar grandes competições que nunca são transmitidas pelas redes privadas de televisão aberta:

- Campeonato Mundial de Atletismo (que se realizará no próximo ano);
- Campeonato Mundial de Basquete;
- Campeonato Mundial de desportos Aquáticos (que se realizará no próximo ano);
- Campeonato Mundial de Judô (que se realizará no próximo ano);
- Copa América / Pré-Mundial de Basquete (que se realizará no próximo ano).

Todas realizadas a cada quatro anos assim como os Jogos Olímpicos.

É algo como se a Copa do Mundo de Futebol só fosse transmitida através da televisão por assinatura, impossibilitando que a esmagadora maioria da população brasileira a assistisse,

Portanto fica evidente que há um lapso de quatro anos entre cada Olimpíada, fato que elitiza cada vez mais o esporte olímpico e amador no país, além de prestar um desserviço no que se refere à criação de ídolos esportivos entre os jovens.

Por estes motivos e já que as redes privadas de televisão aberta são reféns de contratos publicitários e de grades de programação, quero apresentar aqui uma proposta para o esporte olímpico ter seu espaço de vez na televisão brasileira:
A transmissão pela TVE/Televisão educativa (que é a televisão pública brasileira) das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais, assim como acontece em países como Cuba, China, Espanha e Portugal, onde a televisão estatal também faz a cobertura e transmissão de grandes eventos esportivos.

Estas transmissões seriam feitas com o patrocínio das empresas estatais patrocinadores destas modalidades (Caixa, Correio, Eletrobrás, etc.) e com a criação de um fundo proveniente de uma porcentagem das verbas da Lei Agnelo/Piva, destinado exclusivamente para a compra dos direitos de transmissão das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais.
Se os países citados utilizam suas televisões estatais para a transmissão de grandes eventos esportivos, porque a televisão pública brasileira também não pode ser utilizada para esse fim?
Não é responsabilidade das emissoras privadas, mas sim incumbência do estado realizar a transmissão dos grandes eventos esportivos e divulgar o desporto olímpico, através de seus veículos de comunicação.
Advento da televisão digital no Brasil
Transmissão do desporto olímpico pela TV pública


Primeiramente gostaria de fazer uma breve introdução:

Vários atletas de destaque em nosso país já declararam que se iniciaram em suas modalidades, após assistir seus ídolos conquistarem medalhas nos jogos Olímpicos.

Entre as crianças e adolescentes não é diferente!

Veja que muitas vezes inspirados em grandes nomes de outras nacionalidades, cito dois exemplos:

- O garoto Maurício Torres; promessa da natação brasileira; já declarou em entrevistas que se iniciou na natação após assistir seu ídolo, o fenômeno americano Michael Phelps, conquistar oito medalhas nos Jogos Olímpicos de Atenas.

- André Domingos, duas vezes medalhista olímpico no revezamento 4x100 m, já declarou que se iniciou no atletismo inspirado em seu ídolo, o mito e multi-campeão olímpico, o norte-americano Carl Lewis.

Ocorre que intercalando com os Jogos Olímpicos, as principais modalidades olímpicas realizam suas maiores competições, as quais no Brasil são desprezadas e não transmitidas pelas redes privadas de televisão aberta. Competições estas que os grandes ídolos do esporte mundial participam, mas que, no Brasil a grande maioria da população fica privada de assistir, por só serem transmitidas através da televisão por assinatura.

Veja por exemplo o Mundial de Esportes Aquáticos realizado no ano passado na Austrália, no qual participou o mito da natação mundial, o fenômeno Michael Phelps.

Pergunto então, quantas crianças e adolescentes brasileiros as emissoras de televisão deixam de inspirar, para que se iniciem nos esportes olímpicos?

A alternativa propriamente dita, não é de responsabilidade das emissoras privadas, mas sim incumbência do estado, realizar a transmissão dos grandes eventos esportivos e divulgar o desporto olímpico, através de veículos de comunicação.
Ocorre que com o advento da televisão digital no Brasil, os canais 60 e 69 de UHF estarão disponíveis para as emissoras públicas:

http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=102082
Por estes motivos apresento aqui duas propostas para o esporte olímpico ter seu espaço de vez na televisão brasileira:

1º - (Proposta original)
Transmissão pela TVE/ Televisão Educativa das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais, assim como acontece em países como Cuba e China, Espanha e Portugal, onde a televisão estatal também faz a cobertura e transmissão de grandes eventos esportivos.

2º - Criação de um canal esportivo na rede pública utilizando-se um dos canais disponíveis para as emissoras públicas (60 a 69 da faixa UHF). Poderia denominar-se o Canal de Esporte e sua criação seria o grande boom do esporte olímpico no país!
Se desde 1990 existe o MTV Music Television, canal especializado em música que opera no sistema UHF, porque o esporte não pode ter um canal de TV aberta?

Qualquer das propostas posta em prática solucionaria o problema da ditadura esportiva, a qual as redes de televisão aberta submetem o povo brasileiro.
Veja o vídeo:

domingo, 28 de setembro de 2008

AGRADECIMENTO

Não poderia deixar de agradecer ao jornalista Juca Kfouri por me convidar para o seu gabaritado "JUCA ENTREVISTA". Mostrou-se corajoso ao dar espaço a uma pessoa que não está na mídia abordando um assunto que pode não interessar muito ao grande público: a iniciação esportiva, a educação escolar, a falta de infra-estrutura no esporte tanto de base como de alto rendimento.
O seu alto conhecimento (sobre educação e sobre esporte) e a forma leve com que conduziu a entrevista, permitiram que eu discorresse sobre algumas idéias relativas à educação física e ao esporte.
Espero que mais jornalistas sigam esse exemplo, convidando professores e especialistas nestas áreas para debater assuntos tão importantes.
Não podemos mais perder horas na televisão ouvindo comentários sobre vitórias incontestáveis, derrotas injustas, erros de arbitragem, vida pessoal de jogadores, fofocas internas de clubes de futebol, enquanto outros esportes e atletas são cobrados por medalhas, entregues ao sacrifício e ao esquecimento. Do outro lado, dirigentes se locupletam e usam a mídia para promessas de novos projetos que não levam em conta a realidade do país.
Que outras vozes apareçam, que novas oportunidades se abram!

ÉTICA E DESCULPAS

Fiquei profundamente surpreso e comovido com a repercussão que a carta “DESCULPAS AO ESPORTE E AOS ATLETAS BRASILEIROS” teve em todo o Brasil(http://espnbrasil.terra.com.br/jucaentrevista/noticia/7085_AUDIO+DESCULPAS+AO+ESPORTE+E+AOS+ATLETAS+BRASILEIROS - clicar em mural para visualizar comentários) . Ao mesmo tempo senti uma força muito grande nas pessoas que comungavam o pensamento expresso no texto.
Professores, pais, atletas, ex-atletas, técnicos e muitos outros brasileiros, de diversas áreas, manifestaram sua indignação nos diversos blogs, (http://blogs.espn.com.br/mural/?p=254, http://oficinadegerencia.blogspot.com/search?updated-max=2008-08-26T14%3A24%3A00-03%3A00&max-results=20), demonstrando senso de cidadania, gana em fazer valer seus direitos, suas idéias, e buscando instrumentos para transformar esse quadro perverso instalado nas diversas áreas do nosso país.
Sabemos que pessoas assim, infelizmente, fazem parte de uma minoria, mas tenho certeza também, que estes são os responsáveis por uma possível mudança, e por isso mesmo, a responsabilidade delas aumenta muito. Responsabilidade de conscientizar os que lhe são próximos, de cobrar dos que assumem cargos um desempenho que demonstre compromisso com o país.
Falar só não basta, indignar apenas não resolve, é necessário ação. Ação para cobrar educação, dignidade, respeito. Ação que começa na própria casa, na própria rua, no próprio bairro, no seu local de trabalho.
Devemos estar conscientes que cobraremos e seremos também cobrados.
Ética é quando respeitamos e executamos normas comuns para respeitar e preservar o bem de todos. Isso requer consciência, requer determinação e principalmente uma ação constante de vigilância sobre nossos atos.
Que estas “desculpas” tenham sido escritas para que cheguemos um dia em que não será mais necessário pedir desculpas.

UM POUCO DE SAUDOSISMO (2)

VÍDEO DO 1º CAMPEONATO NACIONAL PARA BRASÍLIA

UM POUCO DE SAUDOSISMO (1)





BASQUETE DE TEMPOS ATRÁS




Para os que reclamam de quadra aberta ou ginásios com piso duro, vai aí uma foto do Oscar jogando um torneio em Goiânia, em quadra aberta, até porque nesta época existiam poucos ginásios disponíveis.

domingo, 14 de setembro de 2008

Desculpas ao esporte e aos atletas Brasileiros

Vendo os atletas brasileiros pedindo desculpas pela não obtenção de medalhas e sobre o que se faz pelo esporte no Brasil, resolvi escrever este texto que na minha opinião reflete sobre quem deve desculpas a quem.

Abraços, Ronaldo Pacheco

DESCULPAS AO ESPORTE E AOS ATLETAS BRASILEIROS

Desculpem pela falta de espaços esportivos nas escolas;

Pela falta de professores de educação física nas séries iniciais;

Pelas escolinhas mercantilizadas que buscam quantidade de clientes e não qualidade de aprendizagem;

Desculpem pela falta de incentivo na base;

Desculpem pela falta de praças esportivas;

Desculpem pelo discurso de que "o esporte serve para tirar a criança da rua" (é muito pouco se for só isso!);

Desculpem pela violência nas ruas que impede jovens de brincar livremente, tirando deles a oportunidade de vivenciar experiências motoras;

Desculpem se muito cedo lhe tiraram o "esporte-brincadeira" e lhe impuseram o "esporte-profissão";

Desculpem pelo investimento apenas na fase adulta quando já conseguiram provar que valia a pena;

Desculpem pelas centenas de talentos desperdiçados por não terem condições mínimas de pagar um transporte para ir ao treino, de se alimentar adequadamente, ou de pagar um "exame de faixa";

Desculpem por não permitirmos que estudem para poder se dedicar integralmente aos treinos.

Desculpem pelo sacrifício imposto aos seus pais que dedicaram seus poucos recursos para investir em algo que deveria ser oferecido gratuitamente;

Desculpem levá-los a acreditar que o esporte é uma das poucas maneiras de ascensão social para a classe menos favorecida no nosso país;

Desculpem pela incompetência dos nossos dirigentes esportivos;

Desculpem pelos dirigentes que se eternizam no poder sem apresentar novas propostas; Desculpem pelos dirigentes que desviam verbas em benefício próprio;

Desculpem pela falta de uma política nacional voltada para o esporte;

Desculpem por só nos preocuparmos com leis voltadas para o futebol (Lei Zico, Lei Pelé, etc.);

Desculpem se a única lei que conhecem ligada ao esporte é a "Lei do Gérson" (coitado do Gérson);

Desculpem pelos secretários de esporte de "ocasião", cujas escolhas visam atender apenas, promessas de ocupação de espaços político-partidários (e com pouca verba no orçamento);

Desculpem pelos políticos que os recebem antes ou após grandes feitos (apenas os vencedores) para usá-los como instrumento de marketing político;

Desculpem por pensar em organizar "Olimpíadas" se ainda não conseguimos organizar nossos ministérios; nossas secretarias, nossas federações, nossa legislação esportiva;

Desculpem por forçá-los, contra a vontade, a se "exilarem" no exterior caso pretendem se aprimorar no esporte;

Desculpem pela cobrança indevida de parte da imprensa que pouco conhece e opina pelo senso comum.

Desculpem o povo brasileiro carente de ídolos e líderes por depositar em vocês toda a sua esperança;

Desculpem pela nossa paixão pelo esporte, que como toda paixão, nem sempre é baseada na razão;

Desculpem por levá-los do céu ao inferno em cada competição, pela expectativa criada;

Desculpem pelo rápido esquecimento quando partimos em busca de novos ídolos;

Desculpem pelas lágrimas na derrota, ou na vitória, pois é a forma que temos para extravasar o inexplicável orgulho de ser brasileiro e de, apesar de tudo, acreditar que um dia ainda estaremos entre os grandes.

sábado, 13 de setembro de 2008

Curriculo


Ronaldo Pacheco de Oliveira Filho, nascido em 1958, no Rio de Janeiro e residente em Brasília desde 1960. Graduou-se em Educação Física em 1980, pela Faculdade Dom Bosco de Educação Física, tendo feito mestrado na mesma área em 2001. Especializou-se em Psicologia do Esporte em 2003.

É professor da Secretaria de Estado de Educação do DF, desde 1980, cedido à Universidade de Brasília, e professor da Universidade Católica de Brasília desde 1996.

Trabalhou com basquetebol em todas as categorias (de mini a adulto), nos gêneros masculino e feminino, com vários títulos conquistados em Brasília, tendo em 2007 recebido a Medalha de Mérito Desportivo do Distrito Federal, por fazer parte, como auxiliar-técnico da equipe Universo-BRB que conquistou o título Brasileiro de Basquetebol na temporada 2006-07.