domingo, 19 de outubro de 2008

TALENTO X ESTRUTURA

Observando a final do Mundial de Futsal e refletindo sobre os jogos e comentários que assisti, li e ouvi, me ocorreu essa reflexão: Até quando no Brasil vamos continuar colocando em lados opostos o talento do atleta com a estrutura necessária para a prática esportiva?
Vimos neste campeonato excelentes jogadores brasileiros com muita habilidade, consciência tática, garra, e empenho. Alguns vestiam a camisa verde e amarela, e outros, com camisas dos mais variados países: Espanha, Itália, Rússia, etc. Fora os que defendem seleções estrangeiras, existem outros milhares que se encontram espalhados pelo mundo.
Poderíamos pensar que esta situação é atípica por ser tratar de um esporte que tem suas raízes ligadas ao Brasil e por essa razão muitos países os importam para elevar o nível das suas competições.
Observando de forma mais ampla, podemos notar que isso vem ocorrendo nos diversos esportes: futebol de campo, voleibol, vôlei de areia, futebol de areia (beach soccer), basquetebol, etc.
Assistimos a essa debandada de atletas sem que se implante uma estrutura esportiva que os permita continuar no seu país de forma digna.
Nossos atletas saem cada vez mais cedo se naturalizando em outras nações para defender outras bandeiras. Quando ainda não naturalizados, deixam de servir nossas seleções, pois seus interesses, normalmente profissionais e comerciais, passam a ser prioridade em suas carreiras. Acabamos acusando-os de mercenários, antipatriotas e outros adjetivos. Novamente a carga da opinião pública acaba recaindo nas costas dos atletas.
Mas quem são realmente os antipatriotas e mercenários?
Não seria antipatriotismo ter poder decisório sobre o esporte no país e não apresentar projetos? Passar anos, e muitas vezes décadas na presidência das federações e confederações, sem um plano de trabalho bem elaborado que apresente resultados? Se valer do status do cargo para obter ganhos pessoais sem nada fazer pelo esporte? Mudar normas internas para se perpetuarem no poder?
Quem são os mercenários que sem nenhum esforço ou suor deixados dentro de um ginásio, pista, piscina ou campo, vivem do esporte, mesmo o cargo de dirigente não sendo remunerado? Basta ler o levantamento feito pelo jornalista José Cruz no artigo “O ranking da perpetuação”, e notar o tempo que alguns dirigentes brasileiros se mantêm no poder. (http://www.eunaotenhonome.com.br/blog/blogdocruz)
Qual a causa desse interesse em se manter nestes cargos deixando suas famílias e suas ocupações profissionais de lado? Qual deles tentaria responder a algumas das questões acima elencadas?
Certamente se perguntássemos aos atletas a causa desta busca por outras nações teríamos respostas mais verdadeiras. Nossos atletas vão para outros países em busca da estrutura que não acham aqui; vão à busca da oportunidade esportiva e profissional, já que em muitos países lhe é oferecido o estudo conciliado com o treinamento. Vão em busca da garantia que o seu clube não vai acabar na próxima temporada por falta de patrocínio. Vão por saberem que não serão explorados em seus contratos e que receberão o que foi acertado; vão por acreditarem na seriedade dos dirigentes e da política esportiva implantada nos outros paísese.
Será tão difícil montar uma estrutura? Uma política de desenvolvimento esportivo?
Antes se alegava falta de recursos para investimento no esporte, mas agora que o governo brasileiro se compromete a gastar bilhões com Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas, Jogos Pan-americanos, e temos recursos (que não são poucos) da Lei Agnelo/Piva para o esporte, me parece que essa desculpa está enfraquecida. Não que a verba já seja suficiente, mas poderia ser muito melhor aplicada. No entanto, falta seriedade, falta planejamento, falta conhecimento aministrativo, falta uma legislação esportiva que impeça perpetuações em cargos de presidência das confederações.
Sabemos que o art. 217 da Constituição Federal preserva a autonomia das entidades esportivas quando cita que:
Art. 217 - É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados:
I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento;
II - ...

Não pregamos o desrespeito à constituição mas sabemos também que a partir do momento que as entidades desportivas recebem verbas públicas, elas tem que ser fiscalizadas e subordinadas às normas legais. Que tal se estabelecêssemos uma lei regulamentando que:
Só poderão receber verbas públicas as entidades desportivas que cumprirem as seguintes exigências:
I – possibilidade de recondução ao cargo de presidente apenas uma única vez;
II – Apresentação de plano de ação ao Ministério dos Esportes, e relatório ao final do mandato onde conste as ações realizadas de acordo com o plano inicialmente apresentado.
III – Manter em site aberto à consulta pública o balanço patrimonial anual.
IV – tiverem suas contas aprovadas pelo TCU. (ou Tribunais de Contas Estaduais quando as verbas vierem dos estados)

Sei que poderão argumentar que desta forma, esta norma estaria ferindo a Constituição, no entanto ela seria aplicada apenas para as que se utilizarem de verba pública. Lembro que verba pública é dinheiro da população, e como tal deve ser por nós fiscalizada, inclusive e principalmente, os que dela fazem uso.
Os que conseguem se manter com patrocínios de entidades privadas, que continuem tendo a sua independência quanto aos gastos e regulamentação interna.
Esta é uma proposta.
Enquanto isso não ocorre, continuaremos ressaltando e nos gabando ufanisticamente do talento dos atletas aqui nascidos, que cada vez mais têm deixado de ser “brasileiros”.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

RELATÓRIO SOBRE O SEMINÁRIO DA UnB


Acredito ter sido extremamente proveitoso o seminário sobre a Participação do Brasil nas Olimpíadas de Pequim: Foi um fracasso?, realizado pela Universidade de Brasília – UnB, no qual fui convidado para discorrer sobre o esporte de alto rendimento.
Os demais palestrantes foram: Prof. Dr. Luiz Renato Vieira (Sociologia-UnB), Profa. Drª. Ingrid Dittrich Wiggers (Faculdade de Educação Física-UnB), Ilmo. Sr. Herval Barros representando a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento-Ministério do Esporte. Infelizmente, por problemas de saúde, o Ilmo. Sr. José Cruz (Editor de Esporte do Correio Braziliense), não pode comparecer.
Iniciando as palestras fiz uma indagação sobre qual critério deve ser usado para determinarmos o fracasso ou sucesso de um país em Olimpíadas: número de medalhas? Número de atletas participantes? Comparação com anos anteriores (evolução ou queda)? Será que a análise do sucesso ou fracasso não deve passar pelo planejamento feito pelo país, pela estrutura fornecida aos atletas, pela política de incentivo ao esporte?
Procurei fazer um levantamento dos diversos problemas que têm influenciado o esporte de alto rendimento. Estes tópicos serão abordados na minha próxima postagem.
O segundo palestrante foi o Prof. Dr. Luiz Renato Vieira, que abordou pontos interessantes sob a ótica sociológica. Ressaltou a necessidade de uma avaliação histórica, onde se notaria um problema crônico nas políticas públicas no país: problemas de continuidade e a coordenação inter e intragovernamental que gera desperdício de energia e de gastos públicos. Reafirmou ainda, a necessidade de termos uma atitude cidadã para fiscalizar as políticas públicas, e que essas acontecem pelo controle social. Finalizou enfatizando a importância do esporte que, pela possibilidade de agregar a ação humana, é um campo privilegiado voltado à educação para a cidadania.
Como terceira palestrante, a Profa. Ingrid Dittrich, abordou os fundamentos históricos da escola e do esporte. Lembrou que o esporte é uma herança grega que ressaltava os princípios e valores, buscando a divinização do ser humano e a humanização da vida, através da harmonia do corpo e da alma. Para isso utilizava-se da cultura e cidadania através do esporte, poesia, teatro, música, retórica, etc. Em contrapartida, a civilização romana modificou esta visão do esporte transformando a festa da beleza e arte em entretenimento pela animalidade e terror.
O encontro entre o esporte e a escola não se deu na forma inicial da escola, acontecendo a partir do surgimento da Escola Nova (por volta de 1920).
Por volta de 1970, o esporte passa a ser a base da pirâmide no currículo escolar, buscando o aperfeiçoamento do gesto esportivo. Hoje, a escola utiliza o esporte como um dos seus instrumentos, mas não deve se preocupar com a busca de talentos, mas sim, com a formação integral do aluno.
Prosseguindo as palestras o Sr. Herval Barros, representando o Ministério dos Esportes, fez questão de ressaltar que a partir da criação deste Ministério o esporte passou a fazer parte de uma política pública efetiva, pois antes era apenas um apêndice de outros ministérios. Salientou também que não existem dados sobre a participação econômica do esporte na economia nacional, e com isso fica difícil dimensionar o orçamento adequado para dinamizar as diversas esferas ligadas a ele. Atualmente o Ministério luta para fazer com que o orçamento para o esporte seja de 1% do PIB.
Anunciou ainda que será lançada a III Conferência Nacional do Esporte e que existe um planejamento para elevar o Brasil, colocando-o entre as 10 maiores potências esportivas até 2016. Finalizou lembrando que no site do Ministério existe um fórum virtual em que as pessoas podem participar com críticas e sugestões.
Finalizada a etapa de palestras, foi iniciada a rodada de questionamentos. A última questão foi dirigida a mim: Afinal, a participação do Brasil em Pequim foi um sucesso ou um fracasso?
Para respondê-la, achei melhor dividi-la em três partes: em relação aos atletas; em relação ao Ministério dos Esportes; e, em relação às Confederações e ao COB.
Considerando a participação dos atletas, acho que foi um sucesso, pois com as condições que existem em nosso país, eles conseguirem estar entre os 20 ou 30 melhores do mundo é um feito digno de admiração. Em relação ao Ministério dos Esportes, se estes jogos serviram para uma avaliação e a realização de programas de longo prazo, que já devem ser iniciados imediatamente, podemos estar entrando no caminho adequado. Já em relação à maioria das confederações e ao COB podemos considerar que foi um fracasso absoluto, pois é inadmissível que atletas tenham que bancar seu próprio treinamento (Natália Falavigna), outros tenham que estacionar na sua progressão esportiva por não ter verbas para pagar um exame de faixa, outros que tenham que buscar treinamento no exterior por não possuir uma estrutura adequada para desenvolver todo o seu potencial, e muitos outros não poderem participar de uma olimpíada pela incompetência de seus dirigentes. Nossas Confederações precisam evoluir muito em relação às suas organizações, planejamentos e principalmente nas escolhas de seus dirigentes. Que sejam pessoas preparadas e preocupadas muito mais com o esporte que representam do que com situações pessoais.
Deste seminário deverá ser elaborada uma carta para o esporte nacional, que esperamos ter repercussão e o eco devido nas autoridades responsáveis. Assim que for divulgada, será postada neste blog.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

ARTIGO SOBRE GERÊNCIA ESPORTIVA

Muito bom o artigo que o amigo Alcir magalhães publicou no site http://oficinadegerencia.blogspot.com/. O título do artigo é: Antídoto contra a inércia administrativa. Nele o Alcir traça um retrato claro da situação em que se encontra a Confederação Brasileira de Basquete, e aponta alguns caminhos para a mudança que se faz necessária.
Leiam e opinem!

domingo, 5 de outubro de 2008

SEMINÁRIO SOBRE OLIMPÍADAS DE PEQUIM

Dia 09/10, estarei participando na Universidade de Brasília - UnB, do seminário sobre as Olimpíadas de Pequim. Será debatida a participação brasileira com o tema: Foi um Fracasso?
Participarão do seminário a Profª. Drª. Ingrid que tratará da educação física escolar, Djan Madruga, representando o Ministério dos Esportes e o Sub-editor do Esportes do Correio Braziliense, José Cruz.
O Seminário acontecerá no auditório da Faculdade de educação Física da UnB das 10:00 às 13:00 horas.

ENTREVISTA NO SPORTMANIA

Tive o prazer de ser entrevistado pelo site SPORTMANIA. Lá discorro algumas idéias sobre os problemas na educação física e esporte no Brasil e, especificamente no basquete brasileiro.
Agradeço ao Carlos Fernando pela oportunidade que foi intermediada pelo amigo Alcir Magalhães.
Para ampliar nossa discussão aqui nesse blog, recomendo que dêem uma passada por lá.

http://www.sportmania.com.br/

NOVAS PROPOSTAS

Caros amigos,
Uma das propostas deste blog é levantar propostas para solucionar os diversos pontos em que nossos esportes e a educação física escolar estão carentes. Para isso contamos com a ajuda de colaboradores que, a partir da "Carta de desculpas ao esporte e aos atletas brasileiros", têm me enviado diversos e-mails.
Começaremos hoje com duas mensagens enviadas por um colaborador que assina como BR. Transcrevo abaixo suas duas propostas que tratam do mesmo assunto: O incentivo à prática esportiva, que normalmente se inicia ao se assistir uma competição ou poder ver seus ídolos atuando.
Peço que ao final dos textos assistam o clip feito para a campanha de Londres para sediar as olimpíadas. É um bom exemplo a ser seguido. Seria muito bom se iniciássemos assim, pelo começo...

A DITADURA ESPORTIVA DA TV BRASILEIRA

A televisão aberta deve ter o papel fundamental na popularização e criação de ídolos das diversas modalidades, como ocorre no futebol, visto que só as classes sociais mais altas têm acesso à televisão por assinatura.

Atualmente há uma elitização dos esportes olímpicos pela mídia brasileira, visto que estão restritos à televisão por assinatura, inacessível a 95% da população do país. Pergunto: excluindo os Jogos Olímpicos que só se realizam a cada quatro anos, quando as maiores competições das modalidades olímpicas mais tradicionais são transmitidas para o Brasil?
Quero inclusive aqui, citar grandes competições que nunca são transmitidas pelas redes privadas de televisão aberta:

- Campeonato Mundial de Atletismo (que se realizará no próximo ano);
- Campeonato Mundial de Basquete;
- Campeonato Mundial de desportos Aquáticos (que se realizará no próximo ano);
- Campeonato Mundial de Judô (que se realizará no próximo ano);
- Copa América / Pré-Mundial de Basquete (que se realizará no próximo ano).

Todas realizadas a cada quatro anos assim como os Jogos Olímpicos.

É algo como se a Copa do Mundo de Futebol só fosse transmitida através da televisão por assinatura, impossibilitando que a esmagadora maioria da população brasileira a assistisse,

Portanto fica evidente que há um lapso de quatro anos entre cada Olimpíada, fato que elitiza cada vez mais o esporte olímpico e amador no país, além de prestar um desserviço no que se refere à criação de ídolos esportivos entre os jovens.

Por estes motivos e já que as redes privadas de televisão aberta são reféns de contratos publicitários e de grades de programação, quero apresentar aqui uma proposta para o esporte olímpico ter seu espaço de vez na televisão brasileira:
A transmissão pela TVE/Televisão educativa (que é a televisão pública brasileira) das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais, assim como acontece em países como Cuba, China, Espanha e Portugal, onde a televisão estatal também faz a cobertura e transmissão de grandes eventos esportivos.

Estas transmissões seriam feitas com o patrocínio das empresas estatais patrocinadores destas modalidades (Caixa, Correio, Eletrobrás, etc.) e com a criação de um fundo proveniente de uma porcentagem das verbas da Lei Agnelo/Piva, destinado exclusivamente para a compra dos direitos de transmissão das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais.
Se os países citados utilizam suas televisões estatais para a transmissão de grandes eventos esportivos, porque a televisão pública brasileira também não pode ser utilizada para esse fim?
Não é responsabilidade das emissoras privadas, mas sim incumbência do estado realizar a transmissão dos grandes eventos esportivos e divulgar o desporto olímpico, através de seus veículos de comunicação.
Advento da televisão digital no Brasil
Transmissão do desporto olímpico pela TV pública


Primeiramente gostaria de fazer uma breve introdução:

Vários atletas de destaque em nosso país já declararam que se iniciaram em suas modalidades, após assistir seus ídolos conquistarem medalhas nos jogos Olímpicos.

Entre as crianças e adolescentes não é diferente!

Veja que muitas vezes inspirados em grandes nomes de outras nacionalidades, cito dois exemplos:

- O garoto Maurício Torres; promessa da natação brasileira; já declarou em entrevistas que se iniciou na natação após assistir seu ídolo, o fenômeno americano Michael Phelps, conquistar oito medalhas nos Jogos Olímpicos de Atenas.

- André Domingos, duas vezes medalhista olímpico no revezamento 4x100 m, já declarou que se iniciou no atletismo inspirado em seu ídolo, o mito e multi-campeão olímpico, o norte-americano Carl Lewis.

Ocorre que intercalando com os Jogos Olímpicos, as principais modalidades olímpicas realizam suas maiores competições, as quais no Brasil são desprezadas e não transmitidas pelas redes privadas de televisão aberta. Competições estas que os grandes ídolos do esporte mundial participam, mas que, no Brasil a grande maioria da população fica privada de assistir, por só serem transmitidas através da televisão por assinatura.

Veja por exemplo o Mundial de Esportes Aquáticos realizado no ano passado na Austrália, no qual participou o mito da natação mundial, o fenômeno Michael Phelps.

Pergunto então, quantas crianças e adolescentes brasileiros as emissoras de televisão deixam de inspirar, para que se iniciem nos esportes olímpicos?

A alternativa propriamente dita, não é de responsabilidade das emissoras privadas, mas sim incumbência do estado, realizar a transmissão dos grandes eventos esportivos e divulgar o desporto olímpico, através de veículos de comunicação.
Ocorre que com o advento da televisão digital no Brasil, os canais 60 e 69 de UHF estarão disponíveis para as emissoras públicas:

http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=102082
Por estes motivos apresento aqui duas propostas para o esporte olímpico ter seu espaço de vez na televisão brasileira:

1º - (Proposta original)
Transmissão pela TVE/ Televisão Educativa das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais, assim como acontece em países como Cuba e China, Espanha e Portugal, onde a televisão estatal também faz a cobertura e transmissão de grandes eventos esportivos.

2º - Criação de um canal esportivo na rede pública utilizando-se um dos canais disponíveis para as emissoras públicas (60 a 69 da faixa UHF). Poderia denominar-se o Canal de Esporte e sua criação seria o grande boom do esporte olímpico no país!
Se desde 1990 existe o MTV Music Television, canal especializado em música que opera no sistema UHF, porque o esporte não pode ter um canal de TV aberta?

Qualquer das propostas posta em prática solucionaria o problema da ditadura esportiva, a qual as redes de televisão aberta submetem o povo brasileiro.
Veja o vídeo: