Observando a final do Mundial de Futsal e refletindo sobre os jogos e comentários que assisti, li e ouvi, me ocorreu essa reflexão: Até quando no Brasil vamos continuar colocando em lados opostos o talento do atleta com a estrutura necessária para a prática esportiva?
Vimos neste campeonato excelentes jogadores brasileiros com muita habilidade, consciência tática, garra, e empenho. Alguns vestiam a camisa verde e amarela, e outros, com camisas dos mais variados países: Espanha, Itália, Rússia, etc. Fora os que defendem seleções estrangeiras, existem outros milhares que se encontram espalhados pelo mundo.
Poderíamos pensar que esta situação é atípica por ser tratar de um esporte que tem suas raízes ligadas ao Brasil e por essa razão muitos países os importam para elevar o nível das suas competições.
Observando de forma mais ampla, podemos notar que isso vem ocorrendo nos diversos esportes: futebol de campo, voleibol, vôlei de areia, futebol de areia (beach soccer), basquetebol, etc.
Assistimos a essa debandada de atletas sem que se implante uma estrutura esportiva que os permita continuar no seu país de forma digna.
Nossos atletas saem cada vez mais cedo se naturalizando em outras nações para defender outras bandeiras. Quando ainda não naturalizados, deixam de servir nossas seleções, pois seus interesses, normalmente profissionais e comerciais, passam a ser prioridade em suas carreiras. Acabamos acusando-os de mercenários, antipatriotas e outros adjetivos. Novamente a carga da opinião pública acaba recaindo nas costas dos atletas.
Mas quem são realmente os antipatriotas e mercenários?
Não seria antipatriotismo ter poder decisório sobre o esporte no país e não apresentar projetos? Passar anos, e muitas vezes décadas na presidência das federações e confederações, sem um plano de trabalho bem elaborado que apresente resultados? Se valer do status do cargo para obter ganhos pessoais sem nada fazer pelo esporte? Mudar normas internas para se perpetuarem no poder?
Quem são os mercenários que sem nenhum esforço ou suor deixados dentro de um ginásio, pista, piscina ou campo, vivem do esporte, mesmo o cargo de dirigente não sendo remunerado? Basta ler o levantamento feito pelo jornalista José Cruz no artigo “O ranking da perpetuação”, e notar o tempo que alguns dirigentes brasileiros se mantêm no poder. (http://www.eunaotenhonome.com.br/blog/blogdocruz)
Qual a causa desse interesse em se manter nestes cargos deixando suas famílias e suas ocupações profissionais de lado? Qual deles tentaria responder a algumas das questões acima elencadas?
Certamente se perguntássemos aos atletas a causa desta busca por outras nações teríamos respostas mais verdadeiras. Nossos atletas vão para outros países em busca da estrutura que não acham aqui; vão à busca da oportunidade esportiva e profissional, já que em muitos países lhe é oferecido o estudo conciliado com o treinamento. Vão em busca da garantia que o seu clube não vai acabar na próxima temporada por falta de patrocínio. Vão por saberem que não serão explorados em seus contratos e que receberão o que foi acertado; vão por acreditarem na seriedade dos dirigentes e da política esportiva implantada nos outros paísese.
Será tão difícil montar uma estrutura? Uma política de desenvolvimento esportivo?
Antes se alegava falta de recursos para investimento no esporte, mas agora que o governo brasileiro se compromete a gastar bilhões com Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas, Jogos Pan-americanos, e temos recursos (que não são poucos) da Lei Agnelo/Piva para o esporte, me parece que essa desculpa está enfraquecida. Não que a verba já seja suficiente, mas poderia ser muito melhor aplicada. No entanto, falta seriedade, falta planejamento, falta conhecimento aministrativo, falta uma legislação esportiva que impeça perpetuações em cargos de presidência das confederações.
Sabemos que o art. 217 da Constituição Federal preserva a autonomia das entidades esportivas quando cita que:
Art. 217 - É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados:
I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento;
II - ...
Não pregamos o desrespeito à constituição mas sabemos também que a partir do momento que as entidades desportivas recebem verbas públicas, elas tem que ser fiscalizadas e subordinadas às normas legais. Que tal se estabelecêssemos uma lei regulamentando que:
Só poderão receber verbas públicas as entidades desportivas que cumprirem as seguintes exigências:
I – possibilidade de recondução ao cargo de presidente apenas uma única vez;
II – Apresentação de plano de ação ao Ministério dos Esportes, e relatório ao final do mandato onde conste as ações realizadas de acordo com o plano inicialmente apresentado.
III – Manter em site aberto à consulta pública o balanço patrimonial anual.
IV – tiverem suas contas aprovadas pelo TCU. (ou Tribunais de Contas Estaduais quando as verbas vierem dos estados)
Sei que poderão argumentar que desta forma, esta norma estaria ferindo a Constituição, no entanto ela seria aplicada apenas para as que se utilizarem de verba pública. Lembro que verba pública é dinheiro da população, e como tal deve ser por nós fiscalizada, inclusive e principalmente, os que dela fazem uso.
Os que conseguem se manter com patrocínios de entidades privadas, que continuem tendo a sua independência quanto aos gastos e regulamentação interna.
Esta é uma proposta.
Enquanto isso não ocorre, continuaremos ressaltando e nos gabando ufanisticamente do talento dos atletas aqui nascidos, que cada vez mais têm deixado de ser “brasileiros”.
Vimos neste campeonato excelentes jogadores brasileiros com muita habilidade, consciência tática, garra, e empenho. Alguns vestiam a camisa verde e amarela, e outros, com camisas dos mais variados países: Espanha, Itália, Rússia, etc. Fora os que defendem seleções estrangeiras, existem outros milhares que se encontram espalhados pelo mundo.
Poderíamos pensar que esta situação é atípica por ser tratar de um esporte que tem suas raízes ligadas ao Brasil e por essa razão muitos países os importam para elevar o nível das suas competições.
Observando de forma mais ampla, podemos notar que isso vem ocorrendo nos diversos esportes: futebol de campo, voleibol, vôlei de areia, futebol de areia (beach soccer), basquetebol, etc.
Assistimos a essa debandada de atletas sem que se implante uma estrutura esportiva que os permita continuar no seu país de forma digna.
Nossos atletas saem cada vez mais cedo se naturalizando em outras nações para defender outras bandeiras. Quando ainda não naturalizados, deixam de servir nossas seleções, pois seus interesses, normalmente profissionais e comerciais, passam a ser prioridade em suas carreiras. Acabamos acusando-os de mercenários, antipatriotas e outros adjetivos. Novamente a carga da opinião pública acaba recaindo nas costas dos atletas.
Mas quem são realmente os antipatriotas e mercenários?
Não seria antipatriotismo ter poder decisório sobre o esporte no país e não apresentar projetos? Passar anos, e muitas vezes décadas na presidência das federações e confederações, sem um plano de trabalho bem elaborado que apresente resultados? Se valer do status do cargo para obter ganhos pessoais sem nada fazer pelo esporte? Mudar normas internas para se perpetuarem no poder?
Quem são os mercenários que sem nenhum esforço ou suor deixados dentro de um ginásio, pista, piscina ou campo, vivem do esporte, mesmo o cargo de dirigente não sendo remunerado? Basta ler o levantamento feito pelo jornalista José Cruz no artigo “O ranking da perpetuação”, e notar o tempo que alguns dirigentes brasileiros se mantêm no poder. (http://www.eunaotenhonome.com.br/blog/blogdocruz)
Qual a causa desse interesse em se manter nestes cargos deixando suas famílias e suas ocupações profissionais de lado? Qual deles tentaria responder a algumas das questões acima elencadas?
Certamente se perguntássemos aos atletas a causa desta busca por outras nações teríamos respostas mais verdadeiras. Nossos atletas vão para outros países em busca da estrutura que não acham aqui; vão à busca da oportunidade esportiva e profissional, já que em muitos países lhe é oferecido o estudo conciliado com o treinamento. Vão em busca da garantia que o seu clube não vai acabar na próxima temporada por falta de patrocínio. Vão por saberem que não serão explorados em seus contratos e que receberão o que foi acertado; vão por acreditarem na seriedade dos dirigentes e da política esportiva implantada nos outros paísese.
Será tão difícil montar uma estrutura? Uma política de desenvolvimento esportivo?
Antes se alegava falta de recursos para investimento no esporte, mas agora que o governo brasileiro se compromete a gastar bilhões com Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas, Jogos Pan-americanos, e temos recursos (que não são poucos) da Lei Agnelo/Piva para o esporte, me parece que essa desculpa está enfraquecida. Não que a verba já seja suficiente, mas poderia ser muito melhor aplicada. No entanto, falta seriedade, falta planejamento, falta conhecimento aministrativo, falta uma legislação esportiva que impeça perpetuações em cargos de presidência das confederações.
Sabemos que o art. 217 da Constituição Federal preserva a autonomia das entidades esportivas quando cita que:
Art. 217 - É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados:
I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento;
II - ...
Não pregamos o desrespeito à constituição mas sabemos também que a partir do momento que as entidades desportivas recebem verbas públicas, elas tem que ser fiscalizadas e subordinadas às normas legais. Que tal se estabelecêssemos uma lei regulamentando que:
Só poderão receber verbas públicas as entidades desportivas que cumprirem as seguintes exigências:
I – possibilidade de recondução ao cargo de presidente apenas uma única vez;
II – Apresentação de plano de ação ao Ministério dos Esportes, e relatório ao final do mandato onde conste as ações realizadas de acordo com o plano inicialmente apresentado.
III – Manter em site aberto à consulta pública o balanço patrimonial anual.
IV – tiverem suas contas aprovadas pelo TCU. (ou Tribunais de Contas Estaduais quando as verbas vierem dos estados)
Sei que poderão argumentar que desta forma, esta norma estaria ferindo a Constituição, no entanto ela seria aplicada apenas para as que se utilizarem de verba pública. Lembro que verba pública é dinheiro da população, e como tal deve ser por nós fiscalizada, inclusive e principalmente, os que dela fazem uso.
Os que conseguem se manter com patrocínios de entidades privadas, que continuem tendo a sua independência quanto aos gastos e regulamentação interna.
Esta é uma proposta.
Enquanto isso não ocorre, continuaremos ressaltando e nos gabando ufanisticamente do talento dos atletas aqui nascidos, que cada vez mais têm deixado de ser “brasileiros”.
