domingo, 5 de outubro de 2008

NOVAS PROPOSTAS

Caros amigos,
Uma das propostas deste blog é levantar propostas para solucionar os diversos pontos em que nossos esportes e a educação física escolar estão carentes. Para isso contamos com a ajuda de colaboradores que, a partir da "Carta de desculpas ao esporte e aos atletas brasileiros", têm me enviado diversos e-mails.
Começaremos hoje com duas mensagens enviadas por um colaborador que assina como BR. Transcrevo abaixo suas duas propostas que tratam do mesmo assunto: O incentivo à prática esportiva, que normalmente se inicia ao se assistir uma competição ou poder ver seus ídolos atuando.
Peço que ao final dos textos assistam o clip feito para a campanha de Londres para sediar as olimpíadas. É um bom exemplo a ser seguido. Seria muito bom se iniciássemos assim, pelo começo...

A DITADURA ESPORTIVA DA TV BRASILEIRA

A televisão aberta deve ter o papel fundamental na popularização e criação de ídolos das diversas modalidades, como ocorre no futebol, visto que só as classes sociais mais altas têm acesso à televisão por assinatura.

Atualmente há uma elitização dos esportes olímpicos pela mídia brasileira, visto que estão restritos à televisão por assinatura, inacessível a 95% da população do país. Pergunto: excluindo os Jogos Olímpicos que só se realizam a cada quatro anos, quando as maiores competições das modalidades olímpicas mais tradicionais são transmitidas para o Brasil?
Quero inclusive aqui, citar grandes competições que nunca são transmitidas pelas redes privadas de televisão aberta:

- Campeonato Mundial de Atletismo (que se realizará no próximo ano);
- Campeonato Mundial de Basquete;
- Campeonato Mundial de desportos Aquáticos (que se realizará no próximo ano);
- Campeonato Mundial de Judô (que se realizará no próximo ano);
- Copa América / Pré-Mundial de Basquete (que se realizará no próximo ano).

Todas realizadas a cada quatro anos assim como os Jogos Olímpicos.

É algo como se a Copa do Mundo de Futebol só fosse transmitida através da televisão por assinatura, impossibilitando que a esmagadora maioria da população brasileira a assistisse,

Portanto fica evidente que há um lapso de quatro anos entre cada Olimpíada, fato que elitiza cada vez mais o esporte olímpico e amador no país, além de prestar um desserviço no que se refere à criação de ídolos esportivos entre os jovens.

Por estes motivos e já que as redes privadas de televisão aberta são reféns de contratos publicitários e de grades de programação, quero apresentar aqui uma proposta para o esporte olímpico ter seu espaço de vez na televisão brasileira:
A transmissão pela TVE/Televisão educativa (que é a televisão pública brasileira) das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais, assim como acontece em países como Cuba, China, Espanha e Portugal, onde a televisão estatal também faz a cobertura e transmissão de grandes eventos esportivos.

Estas transmissões seriam feitas com o patrocínio das empresas estatais patrocinadores destas modalidades (Caixa, Correio, Eletrobrás, etc.) e com a criação de um fundo proveniente de uma porcentagem das verbas da Lei Agnelo/Piva, destinado exclusivamente para a compra dos direitos de transmissão das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais.
Se os países citados utilizam suas televisões estatais para a transmissão de grandes eventos esportivos, porque a televisão pública brasileira também não pode ser utilizada para esse fim?
Não é responsabilidade das emissoras privadas, mas sim incumbência do estado realizar a transmissão dos grandes eventos esportivos e divulgar o desporto olímpico, através de seus veículos de comunicação.
Advento da televisão digital no Brasil
Transmissão do desporto olímpico pela TV pública


Primeiramente gostaria de fazer uma breve introdução:

Vários atletas de destaque em nosso país já declararam que se iniciaram em suas modalidades, após assistir seus ídolos conquistarem medalhas nos jogos Olímpicos.

Entre as crianças e adolescentes não é diferente!

Veja que muitas vezes inspirados em grandes nomes de outras nacionalidades, cito dois exemplos:

- O garoto Maurício Torres; promessa da natação brasileira; já declarou em entrevistas que se iniciou na natação após assistir seu ídolo, o fenômeno americano Michael Phelps, conquistar oito medalhas nos Jogos Olímpicos de Atenas.

- André Domingos, duas vezes medalhista olímpico no revezamento 4x100 m, já declarou que se iniciou no atletismo inspirado em seu ídolo, o mito e multi-campeão olímpico, o norte-americano Carl Lewis.

Ocorre que intercalando com os Jogos Olímpicos, as principais modalidades olímpicas realizam suas maiores competições, as quais no Brasil são desprezadas e não transmitidas pelas redes privadas de televisão aberta. Competições estas que os grandes ídolos do esporte mundial participam, mas que, no Brasil a grande maioria da população fica privada de assistir, por só serem transmitidas através da televisão por assinatura.

Veja por exemplo o Mundial de Esportes Aquáticos realizado no ano passado na Austrália, no qual participou o mito da natação mundial, o fenômeno Michael Phelps.

Pergunto então, quantas crianças e adolescentes brasileiros as emissoras de televisão deixam de inspirar, para que se iniciem nos esportes olímpicos?

A alternativa propriamente dita, não é de responsabilidade das emissoras privadas, mas sim incumbência do estado, realizar a transmissão dos grandes eventos esportivos e divulgar o desporto olímpico, através de veículos de comunicação.
Ocorre que com o advento da televisão digital no Brasil, os canais 60 e 69 de UHF estarão disponíveis para as emissoras públicas:

http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=102082
Por estes motivos apresento aqui duas propostas para o esporte olímpico ter seu espaço de vez na televisão brasileira:

1º - (Proposta original)
Transmissão pela TVE/ Televisão Educativa das grandes competições das modalidades olímpicas mais tradicionais, assim como acontece em países como Cuba e China, Espanha e Portugal, onde a televisão estatal também faz a cobertura e transmissão de grandes eventos esportivos.

2º - Criação de um canal esportivo na rede pública utilizando-se um dos canais disponíveis para as emissoras públicas (60 a 69 da faixa UHF). Poderia denominar-se o Canal de Esporte e sua criação seria o grande boom do esporte olímpico no país!
Se desde 1990 existe o MTV Music Television, canal especializado em música que opera no sistema UHF, porque o esporte não pode ter um canal de TV aberta?

Qualquer das propostas posta em prática solucionaria o problema da ditadura esportiva, a qual as redes de televisão aberta submetem o povo brasileiro.
Veja o vídeo:

3 comentários:

Anônimo disse...

Só complementando o excelente texto do seu colaboradoe prof. Ronaldo ;

Em matéria de transmissões de esportes olímpicos ; a China não fica para trás.

Pois na terra dos últimos jogos , a televisão pública chinesa tb conhecida como CCTV / China Central Television , destina o seu 5° canal exclusivamente para o esporte ; realizando uma ampla cobertura dos grandes eventos de esportes olímpicos ; fato que inclusive levou que o canal mudasse seu nome recentemente de CCTV5 para Olímpico:

http://www.portalesportivo.com.br/index.php?eva=cz0xNyZtPWV2YV9jb250ZXVkbyZjb19jb2Q9MTYzMzkm
( 4º parágrafo )


Um abraço ;


Rodrigo Bacher

Renan Nunes disse...

Infelizmente hoje no Brasil quando é transmitido algum esporte sem ser o futebol, só passam a final do campeonato, assim como ocorre com o vôlei, passam as finais dos campeonatos masculinos e femininos e transmitem por completo o gran prix e a liga mundial, mas ainda sim é muito pouco. Basquete e handebol (que são modalidades básicas para se aprender nas escolas) tem pouquíssima transmissão e até campeonatos. Creio que não adiantaria somente ter um canal para transmitir os jogos, mas deve-se ter os jogos para passar, campeonatos bem definidos, com datas previamente marcadas. Adorei a idéia do canal público, mas tem que haver uma maior organização (das confederações e federações) para que esse canal dê certo.

Ronaldo Pacheco disse...

Agradeço os pertinentes comentários do Rodrigo e do Renan.
Abraços,