Acredito ter sido extremamente proveitoso o seminário sobre a Participação do Brasil nas Olimpíadas de Pequim: Foi um fracasso?, realizado pela Universidade de Brasília – UnB, no qual fui convidado para discorrer sobre o esporte de alto rendimento.
Os demais palestrantes foram: Prof. Dr. Luiz Renato Vieira (Sociologia-UnB), Profa. Drª. Ingrid Dittrich Wiggers (Faculdade de Educação Física-UnB), Ilmo. Sr. Herval Barros representando a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento-Ministério do Esporte. Infelizmente, por problemas de saúde, o Ilmo. Sr. José Cruz (Editor de Esporte do Correio Braziliense), não pode comparecer.
Iniciando as palestras fiz uma indagação sobre qual critério deve ser usado para determinarmos o fracasso ou sucesso de um país em Olimpíadas: número de medalhas? Número de atletas participantes? Comparação com anos anteriores (evolução ou queda)? Será que a análise do sucesso ou fracasso não deve passar pelo planejamento feito pelo país, pela estrutura fornecida aos atletas, pela política de incentivo ao esporte?
Procurei fazer um levantamento dos diversos problemas que têm influenciado o esporte de alto rendimento. Estes tópicos serão abordados na minha próxima postagem.
O segundo palestrante foi o Prof. Dr. Luiz Renato Vieira, que abordou pontos interessantes sob a ótica sociológica. Ressaltou a necessidade de uma avaliação histórica, onde se notaria um problema crônico nas políticas públicas no país: problemas de continuidade e a coordenação inter e intragovernamental que gera desperdício de energia e de gastos públicos. Reafirmou ainda, a necessidade de termos uma atitude cidadã para fiscalizar as políticas públicas, e que essas acontecem pelo controle social. Finalizou enfatizando a importância do esporte que, pela possibilidade de agregar a ação humana, é um campo privilegiado voltado à educação para a cidadania.
Como terceira palestrante, a Profa. Ingrid Dittrich, abordou os fundamentos históricos da escola e do esporte. Lembrou que o esporte é uma herança grega que ressaltava os princípios e valores, buscando a divinização do ser humano e a humanização da vida, através da harmonia do corpo e da alma. Para isso utilizava-se da cultura e cidadania através do esporte, poesia, teatro, música, retórica, etc. Em contrapartida, a civilização romana modificou esta visão do esporte transformando a festa da beleza e arte em entretenimento pela animalidade e terror.
O encontro entre o esporte e a escola não se deu na forma inicial da escola, acontecendo a partir do surgimento da Escola Nova (por volta de 1920).
Por volta de 1970, o esporte passa a ser a base da pirâmide no currículo escolar, buscando o aperfeiçoamento do gesto esportivo. Hoje, a escola utiliza o esporte como um dos seus instrumentos, mas não deve se preocupar com a busca de talentos, mas sim, com a formação integral do aluno.
Prosseguindo as palestras o Sr. Herval Barros, representando o Ministério dos Esportes, fez questão de ressaltar que a partir da criação deste Ministério o esporte passou a fazer parte de uma política pública efetiva, pois antes era apenas um apêndice de outros ministérios. Salientou também que não existem dados sobre a participação econômica do esporte na economia nacional, e com isso fica difícil dimensionar o orçamento adequado para dinamizar as diversas esferas ligadas a ele. Atualmente o Ministério luta para fazer com que o orçamento para o esporte seja de 1% do PIB.
Anunciou ainda que será lançada a III Conferência Nacional do Esporte e que existe um planejamento para elevar o Brasil, colocando-o entre as 10 maiores potências esportivas até 2016. Finalizou lembrando que no site do Ministério existe um fórum virtual em que as pessoas podem participar com críticas e sugestões.
Finalizada a etapa de palestras, foi iniciada a rodada de questionamentos. A última questão foi dirigida a mim: Afinal, a participação do Brasil em Pequim foi um sucesso ou um fracasso?
Para respondê-la, achei melhor dividi-la em três partes: em relação aos atletas; em relação ao Ministério dos Esportes; e, em relação às Confederações e ao COB.
Considerando a participação dos atletas, acho que foi um sucesso, pois com as condições que existem em nosso país, eles conseguirem estar entre os 20 ou 30 melhores do mundo é um feito digno de admiração. Em relação ao Ministério dos Esportes, se estes jogos serviram para uma avaliação e a realização de programas de longo prazo, que já devem ser iniciados imediatamente, podemos estar entrando no caminho adequado. Já em relação à maioria das confederações e ao COB podemos considerar que foi um fracasso absoluto, pois é inadmissível que atletas tenham que bancar seu próprio treinamento (Natália Falavigna), outros tenham que estacionar na sua progressão esportiva por não ter verbas para pagar um exame de faixa, outros que tenham que buscar treinamento no exterior por não possuir uma estrutura adequada para desenvolver todo o seu potencial, e muitos outros não poderem participar de uma olimpíada pela incompetência de seus dirigentes. Nossas Confederações precisam evoluir muito em relação às suas organizações, planejamentos e principalmente nas escolhas de seus dirigentes. Que sejam pessoas preparadas e preocupadas muito mais com o esporte que representam do que com situações pessoais.
Deste seminário deverá ser elaborada uma carta para o esporte nacional, que esperamos ter repercussão e o eco devido nas autoridades responsáveis. Assim que for divulgada, será postada neste blog.

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